Síndrome de Lynch

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Síndrome de Lynch

Síndrome de Lynch

síndrome de Lynch (também chamada pela sigla HNPCC) é uma das doenças genéticas mais comuns que existem. Apesar disso, raramente há discussões sobre ela nos meios de comunicação e existe pouco conhecimento até mesmo entre a comunidade médica.
É uma síndrome de predisposição a vários tipos de câncer e que ocorre em 1 a cada 300 pessoas no Brasil. Ela traz como consequência um aumento das chances de a pessoa portadora desenvolver câncer de intestino (também chamado de câncer de cólon) antes de completar 50 anos de idade. Outros tipos de câncer também estão associados a esta síndrome e, em geral, as famílias portadoras apresentam vários casos de tumores de geração a geração. A maior parte das pessoas que carregam esta síndrome passa a vida inteira sem saber sobre sua condição.
Apesar de não existir uma metodologia simples para a diminuição do risco do câncer de intestino, seguir um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e prática de exercícios físicos pode reduzir as chances de complicações. Indivíduos que possuem suspeita de síndrome de Lynch devem passar em consulta com um médico geneticista para realizar testes genéticos para investigar a possibilidade de um câncer de intestino se desenvolver.

Recentemente, o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCCN) publicou que todo caso de câncer de cólon (intestino), independentemente da idade, história familiar ou sexo, deve ser avaliado geneticamente, devido à síndrome ser muito mais comum do que se pensava inicialmente.

Sintomas do Câncer de Cólon

Primeiramente, devemos falar sobre o tipo de câncer mais comum encontrado nessa síndrome, que é o câncer de cólon (intestino grosso). Uma pessoa com essa doença pode ter diversos sintomas e, por isso, frente a alguns deles, é indicado que seja feita uma consulta médica para identificar a causa do problema. Os principais sinais são:

  • Sangue nas fezes, perceptível ou não (que pode gerar anemia crônica);
  • Massa abdominal, também chamada de tumoração;
  • Fraqueza;
  • Desconforto ou dor abdominal;
  • Prisão de ventre e diarreia alternados;
  • Perda de peso;
  • Fezes muito finas e compridas.

Diagnóstico do câncer de cólon

O diagnóstico deve ser feito de acordo com as características clínicas associadas a exames, que podem incluir colonoscopia e biópsia de massas encontradas. Às vezes, o médico também pode pedir exames de imagem da região abdominal, para compreender melhor se há infiltração em outros tecidos.

Síndrome de Lynch e o câncer – genes de reparo do DNA

Conforme amplamente explicado no decorrer deste conteúdo, a síndrome de Lynch é uma doença que apresenta uma relação estreita com o desenvolvimento de vários tumores, e estudos mais recentes mostram que está ligada a até 20% dos casos de câncer colorretal.

síndrome de Lynch é causada por mutações em genes que são passados ​​de pais para filhos, responsáveis pelo reparo do DNA. Os genes são pedaços de DNA, e o DNA, por sua vez, é como um conjunto de instruções para a produção de cada proteína que permitem o funcionamento adequado do no corpo.

À medida que as células crescem e criam outras células como parte de seu ciclo de vida, elas fazem cópias de seu DNA. Às vezes, contudo, essas cópias têm erros. O corpo tem um conjunto de genes que detêm as instruções para encontrar os erros e corrigi-los. Os médicos chamam esses genes de “genes de reparo do DNA”. Os genes mais comuns relacionados a esse processo, na síndrome de Lynch, são o MLH1MSH2MSH6 e PMS2.

Pessoas com síndrome de Lynch têm genes de reparo que não funcionam como esperado. Se ocorrer um erro no DNA e ele não for corrigido, isso pode fazer com que as células cresçam fora de controle e se tornem células cancerígenas.

síndrome de Lynch ocorre em famílias em um padrão de herança autossômico dominante. Isso significa que, se o pai ou a mãe tiver genes que causam a síndrome de Lynch, há 50% de chance de que cada filho tenha os genes que causam a síndrome de Lynch.

Tipos de câncer que podem ocorrer na síndrome de Lynch

Nestes casos, as neoplasias ocorrem mais cedo do que na população geral. Logo, é comum ver pacientes que tenham a síndrome de Lynch desenvolvendo câncer com menos de 50 anos de idade. Além disso, mulheres portadoras da doença têm de um risco de 40% a 60% de desenvolvimento de câncer do endométrio.

Os riscos gerais de carcinoma ao longo da vida, na síndrome de Lynch, são:

  • Câncer colorretal: 50-80% (cólon direito > cólon esquerdo);
  • Câncer do endométrio: 40-60%;
  • Câncer do ovário: 19-38%;
  • Câncer do estômago: 7-13%.

O gráfico abaixo ilustra bem esse grande aumento de risco, comparando uma pessoa que não tem a síndrome com outra que possui alguns dos genes de reparo do DNA alterado.

Diagnóstico da síndrome de Lynch

Como dito anteriormente, toda pessoa com diagnóstico de câncer colorretal ou histórico familiar desse tipo de câncer deve procurar um médico geneticista para fazer uma avaliação. Ele saberá indicar o exame correto para identificar se sua família apresenta ou não a síndrome.

O médico geneticista fará, durante a consulta, um histórico familiar detalhado, como base para a avaliação genética. É preciso seguir alguns elementos para realizar a análise completa e minuciosa.

Durante a consulta, o médico geneticista pode indicar que sejam realizados testes de sequenciamento genético (painel genético para câncer), principalmente ao verificar:

  1. Vários parentes com qualquer câncer associado à Lynch, incluindo câncer de cólon e câncer de endométrio. Outros cânceres causados ​​pela síndrome de Lynch incluem aqueles que ocorrem no estômago, ovários, pâncreas, rins, bexiga, ureteres, cérebro, vesícula biliar, ductos biliares, intestino delgado e pele;
  2. Um ou mais membros da família que tiveram câncer antes dos 50 anos;
  3. Um ou mais membros da família que tiveram mais de um tipo de câncer;
  4. Mais de uma geração da família com o mesmo tipo de câncer.

Uma vez encontrada uma mutação genética, os familiares devem receber orientação para um rastreamento através de exames periódicos, com o objetivo de detectar, em fase inicial, qualquer tipo de câncer relacionado à síndrome. Nós ainda não temos a capacidade de mudar o DNA do indivíduo afetado, porém podemos mudar a história da doença e diminuir a mortalidade com um tratamento e seguimento contínuos. Já os portadores da síndrome devem realizar uma colonoscopia de vigilância uma vez a cada um ou dois anos, além de triagem contínua para todos os tipos de câncer que estejam relacionados à patologia.

A síndrome de Lynch pode ser hereditária?

Sim. Uma pessoa com alteração genética tem 50% de risco de passar a informação genética defeituosa para seus filhos. Chamamos esse tipo de herança de “herança autossômica dominante”. Isso aumenta ainda mais a importância da avaliação do médico geneticista, pois não apenas você, mas toda a sua família pode ser ajudada caso ela seja diagnosticada, e futuros casos de câncer podem ser evitados. A figura abaixo mostra como é a transmissão genética de pais para filhos.

Tratamento

O tratamento mais comum para o combate à síndrome de Lynch é a ressecção da lesão.

Em algumas situações, o especialista pode recomendar quimioterapia como uma das etapas do tratamento. Nestas situações, os pacientes costumam ter um prognóstico melhor que os de câncer de cólon da população em um aspecto mais geral, respondendo de maneira muito mais intensa às terapias com imunoterapia.

Como prevenir a síndrome de Lynch?

É possível reduzir o número de casos de câncer colorretal na síndrome de Lynch com a utilização de AAS (ácido acetilsalicílico) em doses baixas. É importante ressaltar que essa medicação só deve ser utilizada com prescrição médica, e o médico geneticista lhe orientará sobre a necessidade ou não de ela ser utilizada, já que toda medicação tem eventos adversos.

Além do mais, exames periódicos realizados uma vez confirmada a doença são muito úteis para a detecção precoce de tumores e outras enfermidades correlacionadas a ela, elevando as chances de cura no tratamento.

Medidas de hábito de vida saudável são importantes a todas as pessoas, e isso não é diferente aqui. Evitar alimentação ultraprocessada, preferir alimentos naturais e preparados em casa, evitar o consumo de álcool e tabagismo, além de praticar atividade física regularmente são atividades essenciais para qualquer pessoa.

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